Quando a memória se transforma em luta, o silêncio se torna resistência. Há 36 anos, o caso Mães de Acari revelou a dor e a injustiça enfrentadas por mulheres negras de favela que perderam seus filhos e filhas de forma violenta e injusta. Essas mães, que transformaram seu luto em uma luta incansável por dignidade, respeito e reparação, marcaram a história do Brasil ao denunciar violações de direitos e exigir justiça.
O coletivo “Mães de Acari” é um grupo de mães e familiares de vítimas da Chacina de Acari, ocorrida em 1990 no Rio de Janeiro, onde 11 jovens foram vítimas de desaparecimento forçado.
Para homenagear essa trajetória de resistência, foi realizada uma cerimônia no Santuário Cristo Redentor, nessa segunda-feira, 27 de julho, organizada pela Associação Mães de Acari, em parceria com o Consórcio Cristo Sustentável.
Durante a cerimônia, foi realizada a entrega das 11 certidões de óbito aos familiares das vítimas, momento que representou um importante reconhecimento oficial da existência dessas vidas e da violência que marcou suas histórias. Após décadas de espera, as certidões simbolizam um passo fundamental na preservação da memória, no direito à verdade e na reparação das famílias, reafirmando que os desaparecimentos forçados não podem ser apagados pelo tempo nem pelo silêncio.
Assim, o momento de memória foi uma oportunidade para se refletir sobre a importância de se repensar as políticas de enfrentamento às violências. Ao final da cerimônia, houve um minuto de silêncio, com o desligamento da iluminação do monumento ao Cristo Redentor, em homenagem às vítimas da Chacina de Acari.
“Não podemos fazer padecer e adoecer vítimas por Justiça. Que essa homenagem nos inspire a construir um Brasil mais justo, onde a memória das Mães de Acari seja sempre um lembrete de que desistir nunca foi uma opção”, afirmou o advogado Carlos Nicodemos, do Projeto Legal.
“Para marcar e demarcar a memória da história de luta de mulheres negras, de favela, que transformaram seu luto em luta, em busca de dignidade, respeito e reparação, nós nos uniremos em um momento de fé, buscando forças para resistir”, destacou Aline Leite, presidenta da Associação Mães de Acari e irmã de Cristiane Leite.


